segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Mediunidade e segurança



Por Gilberto (Esp.)/Rita Foelker

É importante que o médium sinta-se seguro quanto ao seu próprio potencial mediúnico. O exercício constante e as variegadas experimentações permitirão que aja com desenvoltura nas mais diversas expressões de sua faculdade.
O conhecimento adquirido em leituras e no diálogo com médiuns mais experimentados será de suma importância no entendimento do que se passa durante as manifestações e na construção da atitude íntima mais propícia aos bons resultados.
No entanto, a firme certeza das próprias capacidades não será sinônimo de impressão de infalibilidade. Diante das multifacetadas personalidades desencarnadas de que será intermediário, sempre estará sujeito aos mais diferentes matizes do pensamento e das emoções, que poderá não estar apto a reconhecer sozinho. Mediunidade é porta aberta a contatos espirituais tão singulares quanto as características das personalidades comunicantes, e a verificação dos objetivos e propósitos das comunicações só pode ser feita, retomando cuidadosamente a escrita ou a fala, analisando-as para perscrutar-lhes as reais intenções.
Incomoda a alguns médiuns ter suas comunicações analisadas, geralmente pela própria insegurança. Mas ao seguidor do Cristo deve a verdade importar, acima dos personalismos.
Até porque, quanto mais minuciosa a análise da produção mediúnica, maior o conhecimento da própria mediunidade e maior poderá ser a segurança quanto às próprias possibilidades. O médium sincero não deseja permanecer iludido ou cego, porque a ilusão e a cegueira prejudicam seu desempenho, limitando as suas possibilidades de trabalhar na Seara do Bem.
Ao mesmo tempo, todo esforço sincero de desenvolvimento pessoal e aprimoramento mediúnico, ainda que pareça um pequeno passo, será levado à conta de inestimável conquista espiritual, quando não se envergonha de si mesma na pretensão de demonstrar qualidades outras que, embora desejáveis, ainda permanecem imaturas no imo do Ser.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Ciência espírita: falseabilidade e valores epistêmicos


Por Rita Foelker (TEXTO INÉDITO)

Fato amplamente aceito pelos filósofos da ciência: na atividade científica, não existe observação sem teoria (Kuhn, 2000), ou seja, para se fazer o estudo de um conjunto de fatos é indispensável um ponto de partida numa teoria prévia ou num paradigma (em sentido kuhniano) que seja capaz de fornecer o quadro geral, apontar um método, valorizar certos dados em detrimento de outros e interpretar resultados. A escolha teórica é outro fato da pesquisa científica que já ocupou muitas páginas e livros de filosofia da ciência: de qual teoria vou partir para estudar tais fatos ou tentar solucionar tal problema?.

Hoje a maioria dos filósofos da ciência reconhece que os critérios aplicados no momento dessa escolha são extracientíficos, embora racionais. Eles não são extraídos do próprio método científico e nem se encaixam numa teoria científica, mas também não são aleatórios. E a própria história da ciência nos apresenta aqueles que foram repetidamente utilizados por cientistas. Alguns dos mais conhecidos são:

a) Falseabilidade, que é a capacidade de fazer afirmações que possam ser testadas e eventualmente falseadas perante os fatos observados (Popper, 1980);

b) Fertilidade, que consiste na capacidade de uma teoria de levar a novas descobertas, também conhecido como “poder heurístico” (Lakatos, 1979);

c) Simplicidade, segundo a qual entre duas teorias concorrentes para explicar um dado conjunto de fatos, considera-se que a mais simples deve ser a verdadeira (Kuhn, 2000);

d) Abrangência, a capacidade de resolver o maior número possível de problemas da pesquisa (Kuhn, 2000).

Os critérios apontados em A estrutura das revoluções científicas, em 1962, por Kuhn (2000) foram objeto de vasta controvérsia, o que o levou a escrever novamente sobre o assunto, dezessete anos mais tarde, num artigo para o livro A tensão essencial, de 1977. O autor então propôs, nesse novo texto, que a escolha teórica deveria ser compreendida em termos de valores epistêmicos. Eles deveriam ser considerados em lugar das “regras metodológicas” que operacionalizassem a “análise lógica de materiais empíricos” (Círculo de Viena, 1929), como desejava o positivismo lógico, pois trata-se de uma situação em que “não pode haver qualquer prova” (Kuhn, 1989).

Kuhn (1989) apontou então cinco características de uma boa teoria científica, que incluíam a fertilidade, a simplicidade e a abrangência (não só relativa aos problemas previstos pela própria teoria, mas indo além deles) citadas acima, e também a exatidão e a consistência:

e) Exatidão, segundo a qual a teoria tem consequências que precisam estar de acordo com as experimentações e observações existentes.

f) Consistência, que seria a ausência de contradição em relação a si própria e às teorias correntes que versem sobre o mesmo conjunto de fatos. (Entendemos que, embora seja um fator que influencie o cientista, a consistência externa pode ser questionada como valor epistêmico, visto que as demais teorias correntes podem estar erradas, tendo sido aceitas, talvez, exatamente por serem consistentes ou compatíveis umas com as outras. A consistência interna é claramente bem mais importante que a externa.)

Diferente das regras, os valores são “suscetíveis de divergência quanto à sua significação e aplicabilidade” (Barra, 2000). No entanto, eles são relevantes na medida em que, segundo Lacey (1997) observa, há “a referência à estrutura de valores hierarquicamente ordenada que se expressa na vida de uma pessoa. Tais estruturas de valores definem os mundos dos agentes: o que é significante para eles, o que é desejável e indesejável para eles, o que acham admirável e desprezível, que emoções exprimem, seus interesses e aspirações, o que consideram uma vida plena. Entender os outros requer acesso a suas estruturas de valor, entender seu ponto de vista mesmo sem compartilhá-lo [...] (Lacey, 1997, p.90-91).


Ciência segundo Allan Kardec e valores epistêmicos


Allan Kardec é um modelo de cientista para os espíritas, nas pesquisas e desenvolvimento da Ciência Espírita. Ele valorizava algumas características da teoria espírita, valorização que expressou em alguns lugares de suas obras. E também usava alguns critérios na análise dos fatos que estudava. Isso nos levou a perguntar: Quando ele se posicionou perante a teoria e os fatos espíritas, considerou alguns dos valores epistêmicos? E quanto à falseabilidade popperiana, ela é admitida por ele?

Falseabilidade. Bem, iniciando pela falseabilidade, uma das afirmações mais conhecidas do Codificador é que “o Espiritismo, avançando com o progresso, jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrarem que está em erro acerca de um ponto, ele se modificará nesse ponto; se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará” (Obras póstumas, p.470). Desse modo, as teses espíritas podem ser falseadas pelos fatos e este é um aspecto que garante a própria sobrevivência da Ciência Espírita.

Fertilidade. A fertilidade (ou poder heurístico) foi apontada pelo Codificador como elemento de confirmação, por exemplo, da teoria do perispírito. “O perispírito, como se vê, é o princípio de todas as manifestações. O conhecimento dele foi a chave da explicação de uma imensidade de fenômenos e permitiu que a ciência espírita desse largo passo, fazendo-a enveredar por nova senda, tirando-lhe todo o cunho de maravilhosa. Dos próprios Espíritos, porquanto notai bem que foram eles que nos ensinaram o caminho, tivemos a explicação da ação do Espírito sobre a matéria, do movimento dos corpos inertes, dos ruídos e das aparições” (O livro dos médiuns, item 146). A explicação da causa dos fenômenos das mesas girantes é outro exemplo da fertilidade que Kardec atribuiu à teoria espírita: “as mesas girantes representarão sempre o ponto de partida da Doutrina Espírita e, por essa razão, algumas explicações lhes devemos, tanto mais que, mostrando os fenômenos na sua maior simplicidade, o estudo das causas que os produzem ficará facilitado e, uma vez firmada, a teoria nos fornecerá a chave para a decifração dos efeitos mais complexos" (O livro dos médiuns, item 60).

Simplicidade. A simplicidade também foi um valor importante para Kardec, segundo o qual a explicação mais simples para um fato tende a ser a verdadeira. Isso se verifica em vários trechos de seus escritos, entre os quais destacamos o do item 108 de O livro dos médiuns, relativo às causas das manifestações físicas espontâneas. Ele se referia à confusão com os casos de manchas ou pontos opacos do próprio humor aquoso, que se movem e causam a impressão de que se está enxergando um fenômeno externo: “Enquanto não se provar que uma imagem tem movimento próprio, espontâneo e inteligente, ninguém poderá enxergar no fato de que tratamos mais do que um simples fenômeno ótico ou fisiológico”. Significa então que, se a explicação mais simples são as manchas, esta é provavelmente a tese correta e não precisamos recorrer à intervenção espiritual.

A independência do espírito em relação à matéria constituiu-se na explicação mais simples para a ocorrência de muitos fenômenos, como a clarividência e a segunda vista. Até hoje, elas são mais simples que certas tentativas da ciência materialista de explicar os mesmos fenômenos. Também as recordações de vidas passadas, com ampla comprovação de identidade na vida anterior em muitos casos, têm na reencarnação sua explicação mais simples.

Abrangência e exatidão. Quanto à abrangência e exatidão, ambas aparecem nas palavras do próprio Codificador, transcritas na biografia de Henri Sausse: “Apliquei a essa nova ciência, como até então o tinha feito, o método da experimentação; nunca formulei teorias preconcebidas; observava atentamente, comparava, deduzia as conseqüências; dos efeitos procurava remontar às causas pela dedução, pelo encadeamento lógico dos fatos, não admitindo como válida uma explicação, senão quando ela podia resolver todas as dificuldades da questão” (SAUSSE, [s.d.], p.8).

Também o item 32 de O livro dos médiuns se refere à sua capacidade de abranger “tanto o homem físico quanto o homem moral”. Referindo-se à vantagem dessa abrangência perante a ciência médica da época, no item XIX da Introdução a O Evangelho segundo o Espiritismo, lê-se que “Se os médicos são malsucedidos, tratando da maior parte das moléstias, é que tratam do corpo, sem tratarem da alma. Ora, não se achando o todo em bom estado, impossível é que uma parte dele passe bem. O Espiritismo fornece a chave das relações existentes entre a alma e o corpo e prova que um reage incessantemente sobre o outro. Abre, assim, nova senda para a Ciência. Com o lhe mostrar a verdadeira causa de certas afecções, faculta-lhe os meios de as combater. Quando a Ciência levar em conta a ação do elemento espiritual na economia, menos frequentes serão os seus maus êxitos.”

Onde a abrangência da teoria espírita perante os demais sistemas, na visão de Kardec, mostra-se mais clara é no capítulo IV da Primeira Parte de O livro dos médiuns (“Dos sistemas”). Ele trata das teorias que surgiram para explicar os fenômenos mediúnicos e das limitações que carregavam, das quais não padecia a teoria espírita.

Consistência. A consistência perante si mesma é uma constante na teoria espírita, mas o mesmo não se pode dizer dela com respeito às demais teorias que versam sobre os mesmos fatos. À época, surgiram muitos sistemas concorrentes, e hoje não é diferente. Contudo, como dissemos, entendemos que a consistência externa pode ser um critério contestável.

Conforme observamos, Allan Kardec compreendia a importância dos valores epistêmicos e da falseabilidade como atributos de uma boa teoria. Isso nos dá uma dimensão da sua qualidade enquanto pesquisador da Ciência Espírita, mesmo numa época em que eles nem eram cogitados e que a filosofia da ciência ainda estava nascendo.

A teoria espírita, como vimos, traz em seu bojo esses atributos. Como concluímos das observações de Lacey (1997), eles constituíam os pontos significativos para o Codificador, eles nos revelam sua racionalidade, seu modo de pensar que se manifestam no seu próprio viver e seu estilo de pensar e fazer ciência, o qual está de acordo com os melhores critérios racionais apontados pelos filósofos da ciência contemporâneos.

_______

Referências:

BARRA, E.S.O. Valores epistêmicos no naturalismo normativo de Philip Kitcher. Principia. V. 4, Nº 1. (2000), p. 1-26.

KARDEC, A. O Evangelho segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 1996.

______. O livro dos médiuns. Rio de Janeiro: FEB, 1996.

______. Obras póstumas. (PDF) Rio de Janeiro: FEB, 2005.

KUHN, T.S. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva, 2000.

______. Objetividade, juízo de valor e escolha teórica. In: A tensão essencial. Lisboa: Edições 70, 1989.

LACEY, H. Interpretação e teoria nas ciências naturais e nas ciências humanas: comentários a respeito de Kuhn e Taylor. Trans/Form/Ação. Nº20 (1997). p.87-106.

LAKATOS, I. O falseamento e a metodologia dos programas de pesquisa científica. In: LAKATOS, I; MUSGRAVE, A. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. São Paulo: Cultrix/Ed.USP, 1979.

POPPER, Karl R. Conjecturas e Refutações (O Progresso do Conhecimento Científico). In: Conjecturas e Refutações. Brasília: UnB, 1980.

SAUSSE, Henri. Biografia de Allan Kardec. (PDF)

THE SCIENTIFIC conception of the world: the Vienna Circle. (Tradução para o inglês em Depressed Metabolism). 1929.

_______

Imagem: Foto de um experimento com a médium Eusápia Paladino, no início do século XX.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Ligações Mediúnicas

Por Gilberto (Esp.) / Rita Foelker


As ligações mediúnicas ocorrem por anuência das duas partes envolvidas, o médium e o Espírito.

A aproximação e a sensação fluídica da presença de um desencarnado, dentro ou fora da reunião, não determina a obrigatoriedade de dar passividade ou de estabelecer ligação fluídica, sobretudo se for caracterizada por forte instabilidade emocional, ideias perturbadoras, sugestões inoportunas de qualquer espécie.

Dentro da conquista do autodomínio e da disciplina interior, o médium vai aprendendo a decidir conscientemente pela hora e o momento adequado de abrir seu campo mental para a outra criatura, ou de parar e cortar a ligação que se inicia.

Enquanto isto não acontece, o médium pode contar com a ajuda de seu Espírito protetor, a quem recorrerá sempre que for o caso.

Em geral, nos ligamos à medida que nos impressionamos pelo imprevisto da ocorrência ou pelas ideias e cenas projetadas. Desimpressionar-se, buscando visualizar outras cenas ou a imagem do Meigo Rabi, recordando trechos ou frases confortadoras que transmitam segurança, contribuirá para nos reconduzir ao centro de nós mesmos. Além disso, contamos com a prece, a ser feita com grande concentração e fé, pedindo que aquela criatura receba encaminhamento adequado ou, pelo menos, se permanecer conosco por qualquer motivo importante arbitrado pelos Espíritos orientadores, que não interfira em nosso equilíbrio e em nossas tarefas, mas colha algo de útil da convivência conosco.

Nesse caso, a proximidade não vai implicar no estabelecimento de qualquer ligação mais intensa, a qual se processará na reunião, junto ao grupo, se for o caso.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

É impossível barganhar com a lei espiritual*


Onde encontraremos a chave para uma vida melhor?


Por Rita Foelker


Livros sobre o segredo da lei de atração, sobre como obter sucesso, dinheiro e amor na vida por meio da aplicação de “mantras” e exercícios, não faltam nas livrarias.

Eles são baseados numa tese correta quanto ao pressuposto, mas equivocada nas suas conclusões.

O pressuposto é a capacidade do pensamento focado de potencializar-se, gerando uma atmosfera em torno do indivíduo, segundo a sua qualidade e intensidade, criando condições para a realização de certos objetivos. De fato, a ação do pensamento é real, sua força é efetiva, como não deixam dúvida trechos diversos da Codificação Espírita, como este, d’A Gênese (Cap.2), onde lemos: “quem o transmite, fica, de certo modo, impregnado do pensamento transmitido. Na impossibilidade em que nos achamos de o isolar, parece-nos que ele, o pensamento, faz coro com o fluido, que com este se confunde, como sucede com o som e o ar, de maneira que podemos, a bem dizer, materializá-lo”.

A conclusão de que poderemos materializar no presente todos os nossos desejos, aprendendo a usar a força do pensamento, todavia, é incorreta.

Isso porque o objetivo de cada encarnação é a evolução, evolução pede aprendizado e aprendizado pede condições próprias para sua realização, as quais normalmente se apresentam na forma de desafios.

Desafios assumem inumeráveis configurações. Em geral, é aquela situação que se repete em nossas vidas, que nos irrita e nos “tira do sério”, pois nos sentimos incompetentes e inadequados diante dela. Talvez seja um problema que sempre surge na vida sentimental, ou na família, ou na profissão, enfim, o que quer que identifiquemos como uma grande dificuldade e que não desaparecerá, nem mesmo com altas doses de pensamento positivo e frases autossugestivas. Ele só desaparecerá quando aprendermos a lição necessária, quando superarmos a nossa “deficiência” emocional ou moral e incorporarmos o respectivo aprendizado à nossa forma de ser.

É claro que os bons pensamentos sempre poderão nos ajudar a enfrentar estas situações, mas não terão o efeito milagroso de nos subtrair às vivências indispensáveis ao desenvolvimento espiritual que aqui estamos buscando.

O que viemos fazer na Terra?

Toda encarnação tem um objetivo espiritual relacionado ao progresso intelecto-moral. Este objetivo costuma envolver o autoconhecimento, a melhoria nas atitudes, a reconciliação com seres que participaram do nosso passado. Não se trata da “pena de talião”, de quitar dívidas, como algumas visões simplistas levam a supor. Trata-se, antes, de aproveitar as oportunidades que temos, perante nós mesmos, de aprimorar nossa forma de encarar a vida e nossas reações perante os fatos, de reconhecer a ação das leis divinas e de nos conformarmos a elas. Trata-se de ampliar a visão, abandonando o egoísmo e o orgulho para abraçar a fraternidade e humildade, a fim de que passem a ser nossas diretrizes em cada situação. Esse aprendizado pode levar décadas, muitos de nós talvez já tenhamos atravessado existências inteiras nas quais demos pouquíssimos passos efetivos em sua direção.

O desvio de atenção para as soluções fáceis e exteriores, como as receitas apresentadas nas diversas literaturas que mencionamos acima, não nos ajudarão a encontrar o caminho da automelhoria. Elas transmitem uma ideia falsa de poder, de barganha com a lei espiritual: “Se eu pensar de tal forma, se repetir tais palavras, tantas vezes por dia, o que eu quero acontecerá.”

Ultimamente, essas obras encontraram respaldo em depoimentos de cientistas e filmes, dentre os quais se destaca “Quem somos nós?”, os quais se propõem a explicar “cientificamente” a ação do pensamento sobre a realidade considerada concreta.

Em geral, uma das falhas desses filmes e depoimentos é desconsiderar a lei da reencarnação e da necessidade da evolução espiritual, de que tratamos aqui.

Outra falha é extrapolar o limite das conclusões plausíveis perante os avanços da teoria quântica, afirmando que uma eventual influência do pensamento em escala subatômica possa mudar toda a realidade a partir do que pensamos, proporcionando amor, prosperidade e saúde, bens materiais e sucesso profissional. Nada de científico pode ser confirmado, a esse respeito.

A fonte segura da Codificação Espírita, por outro lado, esclarece que é no desenvolvimento de nossas virtudes, na ampliação do amor e da capacidade de perdoar, que se encontra a chave de uma vida melhor para cada criatura, a qual não será passageira, constituindo-se numa efetiva conquista espiritual.

_____
*Este artigo foi publicado originalmente na edição 438 do jornal Correio Fraterno, de Março/Abril de 2011.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Importância da prece


Por Gilberto (Esp.) / Rita Foelker

Toda prática mediúnica deveria ser precedida de uma prece. A prece é a ação que nos aproxima dos objetivos superiores de nossas faculdades, incluindo-se a faculdade mediúnica.

Aquele que ilumina com a prece o uso da inteligência torna-se mais inteligente, pela abertura às intuições e inspirações superiores. Aquele que ilumina o seu trabalho iniciando sempre com uma prece, trabalha com mais proveito e diligência, sem distanciar-se da essência espiritual de todas as atividades humanas. Quem busca, na prece, aprofundar e colher frutos melhores de sua mediunidade contará com a assistência dos bons Espíritos e poderá estar mais certo dos resultados de seu exercício.

Da prece advém a serenidade para encontrar a dor dos Espíritos necessitados, a lucidez para agir com mais segurança e para reconhecer a verdade dos momentos mediúnicos, a precisão para identificar as intenções dos Espíritos comunicantes e a união com os benfeitores que saberão decidir pelas providências mais cabíveis.

Quem tem a prece como esteio de sua tarefa mediúnica, cultivando a ligação com os Espíritos orientadores, evitará muitos dissabores e reunirá tesouros que só amizade dos seres amorosos e sábios pode proporcionar à mente e ao coração.

domingo, 3 de abril de 2011

Em busca da permanência em meio à transitoriedade




Texto Inédito
Por Rita Foelker

Nos anos 70, Alvin Toffler parecia saber o que estaríamos vivendo nos dias de hoje. Ele denunciava uma doença do homem contemporâneo, que ele chamou de “choque do futuro”, que se traduzia na nossa dificuldade em lidar com a mudança.
Ele disse que as duas forças que impulsionavam a mudança se chamavam aceleração e transitoriedade, uma delas decorrente da outra. Seu raciocínio partia da premissa de que aquilo que chamamos de 'coisas' são, na verdade, processos, porque de fato não existe nenhum ponto estático, nenhum estado de “não mudança”. Sequer, há um lugar à parte, de onde olhar para a mudança. Tudo é processo.
Acrescentaríamos a isso a finitude das próprias coisas – o trigo virando pizza, a pizza virando jantar, o jantar sendo devorado... E o fato de que as coisas, os próprios bens chamados de duráveis, duram cada vez menos.
Toffler afirma: “A aceleração é uma das mais importantes e menos conhecidas de todas as forças sociais”. E ela não é uma força apenas externa, ela também é uma força psicológica, alterando o modo como vivenciamos a existência.
O autor então oferece uma metáfora, convida-nos a considerar a existência um canal pelo qual a experiência flui. Este fluxo consiste de inumeráveis “situações”, que passam cada vez mais rápido. Se estivéssemos numa condição fictícia, imóveis, observando o fluxo, enxergaríamos as coisas passando cada vez mais depressa e poderíamos nos fixar cada vez menos em cada situação. Eis porque a aceleração traz ainda, em sua bagagem, a transitoriedade.
E a transitoriedade nos afeta profundamente.

O ritmo das mudanças e seu efeito sobre as pessoas

O ritmo das mudanças nos faz alterar, entre outras coisas, os significados daquilo que vivenciamos. Uma coisa que acontece aos poucos é diferente de uma notícia que chega de repente.
Como não contamos com um prazo para assimilar e refletir sobre o que ocorre, uma das tendências que percebo é tornarmo-nos superficiais, porque a vida se tornou complexa demais para que possamos abrangê-la em todas as suas consequências e desdobramentos.
Uma reação a isto parecem ser movimentos como slow food, publicações como a revista Vida Simples, a atração pela vida no campo, o sucesso das pousadas que se multiplicam em zonas rurais. Afinal, parece que a segurança de coisas que obedecem a um ritmo mais lento, dando tempo para nossas adaptações e a respostas pertinentes, é um ingrediente que nos faz falta.
Existem, contudo, outras fontes de segurança, naquilo que não está condicionado pelo passar do tempo. Refiro-me à amizade verdadeira, aos valores da família e da vizinhança, chegando aos valores espirituais perenes – sintetizados na lei de Justiça, Amor e Caridade. Quando, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec optou por tratar dos ensinos do Cristo que tinham caráter imorredouro, talvez ele não soubesse o quanto esses valores seriam fundamentais para o equilíbrio do homem contemporâneo, para sua sanidade mental e para a, muitas vezes, complexa tarefa das escolhas morais que o mundo contemporâneo nos impõe.
Luli Radfahrer, PhD em comunicação digital, escreveu em artigo para a Folha.com, consoante ao que foi dito até aqui: “Novas situações costumam demandar novas palavras para descrevê-las. Quando essas palavras ainda não estão disponíveis, o único jeito é recorrer a velhos termos conhecidos, nem sempre adequados.” E observa como hoje, nas redes sociais, chamamos de “amigos” pessoas que não compartilham nossa intimidade, não convivem conosco, pouco sabem de nós.
Ao fazer isso, ele entende que estamos abrindo a nossa intimidade para os desconhecidos. Mas entendo que estamos fazendo mais: estamos, talvez, ressignificando a amizade para tempos de aceleração e transitoriedade, estamos multiplicando aquilo que chamamos de amigos e tendo menos tempo para cada um deles – assim como para nós mesmos.
Já estamos vivendo numa realidade social onde a competição atinge níveis insanos, onde cada pessoa parece votada ao esforço de ser melhor que outro e obter mais que o outro. Num impulso de franco individualismo, estabelecem-se metas competitivas até para crianças, desde pequenas, muito embora, não importa o quanto consigamos conquistar na vida, nunca parece ser suficiente, se não temos uma estrutura interna de convicções espirituais sólidas e valores correspondentes.
Por isso é que precisamos de referenciais não transitórios. É por isso que os valores eternos e as virtudes morais, que sempre foram tão importantes, adquirem uma relevância ainda maior em tempos de comunicação digital tão múltipla e facilitada.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Higiene mental


Por Gilberto (Esp.) / Rita Foelker

Mediunidade, campo do pensamento e da sensibilidade.

Nos trabalhos mediúnicos, a matéria prima é a delicada realidade dos pensamentos e suas emanações fluídicas, a impressionar a sensibilidade mediúnica. O que é um médium, senão a criatura que transmite, ou seja, que decodifica em linguagem visível ou audível, concreta, a sutileza das ondas-pensamentos dos habitantes do Plano Espiritual?

Sendo o pensamento e a sensibilidade decisivos numa reunião, sendo eles que definem os resultados, o aproveitamento, a fidelidade ao pensamento transmitido, o cumprimento dos objetivos da reunião, há que se cuidar, e muito bem cuidado, dos pensamentos que carreamos conosco no dia-a-dia e, ainda mais, dos pensamentos que nutrimos durante o intercâmbio com os Espíritos.

Daí, podem nascer a harmonia ou, então, as interferências que, quando ganham certa dimensão, fazem os mais céticos duvidarem de que realmente há bons Espíritos interessados na evolução daqueles trabalhos e dos trabalhadores.

Não podemos imaginar que o clima espiritual que nos acompanha não se faça refletir na somatória das contribuições individuais para a formação do ambiente da reunião. Não, depois de conhecermos a plasticidade dos fluidos e a força do pensamento concentrado.

Estude seus pensamentos com imparcialidade como se observasse a tela mental de uma outra pessoa. Quais são bons e produtivos? Quais têm proveito? Quais contribuem para suas metas espirituais superiores?

Quando é que nos prendemos nas teias de idéias deprimentes, envolvidos por um turbilhão mental difícil de conter? E qual pode ser o peso destes pensamentos numa reunião onde, de fato, gostaríamos de estar colaborando, pacificando, nos esclarecendo?

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A confirmação e seus problemas

A tese de Popper serve de alerta para todos que militam em favor de uma Ciência do Espírito.

Texto inédito
Por Rita Foelker

O post anterior tratou apenas superficialmente dos problemas com a confirmação das teorias científicas pelas observações.
De fato, foi mencionado apenas um dos problemas da confirmação, que é a desproporção entre o número limitado de casos confirmados pela observação, diante do potencialmente infinito número de casos possíveis em que a observação refutaria a teoria. Trata-se de um problema da lógica da indução.
Há, contudo, um segundo e sério problema com a confirmação, apontado por Karl Popper numa conferência publicada em seu Conjecturas e refutações.
Trata-se da capacidade que as pessoas têm de enxergar confirmações por toda parte, quando simpatizam com uma ideia. A dificuldade surge com a indução efetuada de certo modo que não atinge o padrão científico. Os exemplos oferecidos por Popper à época pertenciam ao horóscopo perante as biografias, a teoria marxista da história e à psicanálise.
Mas o fato é que, pessoalmente, cada um de nós pode eleger uma ideia, doutrina ou programa e fazer o mesmo, fato que merece nossa atenção.

Quando tudo parece favorável

No caso do horóscopo, uma afirmação como "os sagitarianos receberão dinheiro amanhã" pode obter um grande número de confirmações, mas isso não faz do horóscopo uma ciência.
Explicando o que o levou a pensar no assunto, Popper escreve*:
“Percebi que meus amigos admiradores de Marx, Freud e Adler impressionavam-se com uma série de pontos comuns às três teorias, e sobretudo com sua aparente capacidade de explicação. Essas teorias pareciam poder explicar praticamente tudo em seus respectivos campos. O estudo de qualquer uma delas parecia ter o efeito de uma conversão ou revelação intelectual, abrindo os olhos para uma nova verdade, escondida dos ainda não iniciados. Uma vez abertos os olhos, podia-se ver exemplos confirmadores em toda parte: o mundo estava repleto de verificações da teoria. Qualquer coisa que acontecesse vinha confirmar isso. A verdade contida nessas teorias, portanto, parecia evidente; os descrentes eram nitidamente aqueles que não queriam vê-la: recusavam-se a isso para não entrar em conflito com seus interesses de classe ou por causa de repressões ainda não analisadas, que precisavam urgentemente de tratamento”.
Segundo Popper, um marxista não conseguia abrir um jornal sem encontrar a cada página confirmações para a sua teoria da história, não só nas notícias, mas na forma de apresentação delas, que revelava preconceitos de classe. As fontes de confirmação eram tanto explícitas, quanto implícitas.
Um freudiano estava constantemente confirmando a teoria psicanalítica em suas “observações clínicas. Popper observou: “O que queria dizer era que suas observações anteriores podiam não merecer muito mais certeza do que a última; que cada observação havia sido examinada à luz da ‘experiência anterior’, somando-se ao mesmo tempo às outras como confirmação adicional. Mas, perguntei a mim mesmo, que é que confirmava cada nova observação? Simplesmente o fato de que cada caso podia ser examinado à luz da teoria. Refleti, contudo, que isso significava muito pouco, pois todo e qualquer caso concebível pode ser examinado à luz da teoria de Freud e de Adler.”
Popper então oferece um exemplo ouvi algumas vezes em aulas de filosofia:
“Posso ilustrar esse ponto com dois exemplos muito diferentes de comportamento humano: o do homem que joga uma criança na água com a intenção de afogá-la e o de quem sacrifica sua vida na tentativa de salvar a criança. Ambos os casos podem ser explicados com igual facilidade, tanto em termos freudianos como adlerianos. Segundo Freud, o primeiro homem sofria de repressão (digamos, algum componente do seu complexo de Édipo) enquanto o segundo alcançara a sublimação. Segundo Adler, o primeiro sofria de sentimento de inferioridade (gerando, provavelmente, a necessidade de provar a si mesmo ser capaz de cometer um crime), e o mesmo havia acontecido com o segundo (cuja necessidade era provar a si mesmo ser capaz de salvar a criança). Não conseguia imaginar qualquer tipo de comportamento humano que ambas as teorias fossem incapazes de explicar. Era precisamente esse fato - elas sempre serviam e eram sempre confirmadas - que constituía o mais forte argumento em seu favor. Comecei a perceber aos poucos que essa força aparente era, na verdade, uma fraqueza.”
Na verdade, o grande problema com a teoria marxista da história e a psicanálise não é o seu possível lastro de confirmação, concluiu Popper, mas o fato de que elas não tinham como ser refutadas. Uma teoria científica tem o objetivo de explicar fenômenos e capacitar-nos a predizê-los. Para isso, ela precisa possuir um caráter informativo acerca do que pode e não pode ocorrer. Uma teoria capaz de abranger tudo o que acontece não pode ser uma teoria científica, porque uma teoria que explica tudo, a afirmação como a negação, a ocorrência como a não ocorrência, acaba sendo uma teoria inútil.

Ciência e convicção pessoal

Mas o problema com a confirmação é que ela não é difícil encontrar, quando procuramos.
Por isso, Popper propõe que “todo teste genuíno de uma teoria é uma tentativa de refutá-la. A possibilidade de testar uma teoria implica igual possibilidade de demonstrar que é falsa.”
A confirmação é admitida sob o status de evidência corroborativa, e somente quando resulta de um teste genuíno, que seria uma tentativa “séria porém malograda de refutar a teoria”.
Popper adverte ainda que “algumas teorias genuinamente ‘testáveis’, quando se revelam falsas, continuam a ser sustentadas por admiradores, que introduzem, por exemplo, alguma suposição auxiliar ad hoc**, ou reinterpretam a teoria ad hoc de tal maneira que ela escapa à refutação. Tal procedimento é sempre possível, mas salva a teoria da refutação apenas ao preço de destruir (ou pelo menos aviltar) seu padrão científico.”
Hoje em dia, este texto do nos ajuda não apenas a compreender o empreendimento científico, mas a avaliar nossas formas de entusiasmo em torno de algumas ideias, incluindo a cientificidade do Espiritismo. Pode ser tentador olhar para todos os fatos com a lente da reencarnação ou da influência espiritual e, de fato, é totalmente aceitável usarmos nosso conhecimento ou convicção pessoal para interpretar fatos, em nossas reflexões e conversas informais. Mas ciência séria não é baseada em interpretações pessoais de observações, sobretudo, aquelas que são invariavelmente favoráveis às ideias que defendemos.
_____
*Os trechos de Conjecturas e refutações (Brasília: UnB, 1980) transcritos neste post pertencem à versão integral do capítulo “O progresso do conhecimento científico”, disponível aqui.
** Uma suposição ad hoc é uma afirmação estranha a uma teoria, que lhe é adicionada para evitar que seja refutada.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Ciência e teste

A relação entre ciência e testabilidade das hipóteses não é tão pacífica quanto comumente se imagina.

Texto inédito
Por Rita Foelker


Até o início do século XX, havia uma corrente filosófica que defendia a verificabilidade como a marca da ciência. Eram os positivistas lógicos. Segundo eles, as leis científicas deveriam expressar estados de coisas de forma clara e precisa, e seriam consideradas comprovadas por meio de testes e observações dos fatos nelas afirmados.
Um problema com esta concepção está no fato de que o número de testes e observações possíveis é sempre limitado. Fica sempre a possibilidade de que seus resultados deixem de se repetir, em algum momento, sob certas circunstâncias.
Quem observou esta falha lógica no método preconizado pelo positivismo lógico foi Karl Popper (1902-1994). Popper criticou a tese da verificabilidade e propôs que a marca da ciência era a falseabilidade. Uma lei científica deveria ser expressa em termos claros, incluindo as condições de teste e observação, de modo que fosse possível reproduzi-los. Uma única vez que, ao respeitar as condições de teste e observação, o resultado esperado não ocorresse, e isto levaria ao falseamento da lei.
Hoje em dia não se considera mais que testes têm a ver com verdade ou falsidade. Considera-se que os testes são eficazes dentro de certos limites, que corroboram hipóteses, mas não estão aptos a estabelecer uma verdade. Quando dizemos, por exemplo, que um produto foi dermatologicamente testado, isso não significa que ele jamais provocará uma reação alérgica, mas que num universo de “x” ou “y” indivíduos, a totalidade ou uma razoável porcentagem não teve reações dermatológicas adversas a ele.

Fatos sobre testes científicos

Lembremos um pouco de História. Houve um tempo em que a droga chamada talidomida*, introduzida no mercado em 1956, foi vendida em farmácias e amplamente utilizada por mulheres grávidas para tratamento de insônia, ansiedade e alívio dos enjoos matinais. Os testes realizados à época não revelaram todos os seus potenciais efeitos. O surgimento de casos de malformações congênitas levou a novos estudos e à proibição de sua venda em 1961, mas ainda assim a droga continuou a ser comercializada por vários meses em alguns países como Bélgica, Brasil, Canadá, Itália e Japão. Isso mostra que os testes têm limites quanto à garantia de resultados e outros possíveis efeitos de uma substância.
Os medicamentos, cosméticos e procedimentos atuais voltados para a cura e a beleza, que consideramos testados cientificamente, são, em boa parte, recentes. Além disso, desde que os centros de pesquisas científicas deixaram de ser principalmente as universidades, e passaram a ser patrocinados pelas corporações, atendendo a interesses financeiros e comerciais, o tempo de teste de novas substâncias, antes de chegarem ao mercado, diminuiu.

Analisando nossas crenças

Se os resultados dos testes fossem unânimes em provar uma afirmação, não haveria por que cientistas discordarem entre si, mas sempre houve e continua havendo uma boa dose de polêmica em torno de vários tópicos científicos da medicina, da economia, da física, entre outras.
Como acreditamos na autoridade da ciência, acreditamos naquilo que se afirma que a ciência confirmou ou comprovou. Mas compreendemos de fato quais testes são feitos e qual o peso de seus resultados? Quase nunca.

O outro lado

Os testes, contudo, têm sua relevância na consolidação de setores da pesquisa. Provavelmente ninguém iria querer usar um creme dental que nunca houvesse sido testado.
E sua importância não está restrita aos campos científicos oficialmente reconhecidos. Michael Harner, antropólogo e autor de O caminho do xamã (Ed. Cultrix), nos recorda que “os antigos métodos do xamanismo (...) já foram testados pelo tempo. De fato, eles vêm sendo testados há um tempo imensuravelmente maior, por exemplo, que a psicanálise e inúmeras outras técnicas psicoterapêuticas.”
Calunga, autor espiritual de Calunga definitivo (Ed. Gil), recorda-nos, dentro de uma perspectiva mais ampla que “os Espíritos do bem sempre tentaram ajudar a Humanidade, porque a vida sempre foi espiritual e material”. E, de fato, os contatos espirituais estão documentados nas mais diferentes culturas. Eles fazem parte do relato comum dos indígenas de diferentes tribos, como fatos familiares e cotidianos. São conhecimentos testados, e testados durante séculos e milênios, não somente num laboratório ou dois, mas em diferentes cantos do planeta.
Há ainda outro fator que influencia nossa crença nos resultados científicos: a propaganda. Temos tendência a achar que um creme realmente vai diminuir nossas rugas enquanto dormimos porque nos dizem que foi produzido num grande laboratório de uma empresa com bom nome na praça, o que pode ocorrer de fato, mas não é esse o ponto a ser destacado aqui: é o quanto as técnicas da propaganda nos conduzem a crer numa coisa ou noutra, a favor do anunciante. O que nos leva a pensar no porquê de crermos na ciência, nos testes, na propaganda... Quem ou o que nos ensinou a pensar assim?
Quais as evidências em favor de nossas crenças?
Quantas vezes nós as colocamos em teste? E o que apuramos?
_____
* Informações sobre a talidomida podem ser encontradas aqui.

Imagens:
- Karl Popper, filósofo (1902-1994).

- Mulher xamã (1880).

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Grupos & Grupos

Por Gilberto (Esp.) / Rita Foelker

Costuma-se chamar de grupo, qualquer reunião de pessoas envolvidas em alguma atividade.

Quando se trata de grupos mediúnicos, alguns apontamentos importantes deverão ser feitos. Um grupo mediúnico começa com pessoas que se identificam por um certo perfil: por participarem de estudos da casa espírita, por terem ouvido falar do Espiritismo ou por terem curiosidade de conhecer as atividades dos médiuns, porque sofreram alguma perda e procuram o conforto da comprovação da imortalidade, por terem sentido sinais da eclosão da mediunidade e precisarem entender e lidar com esta nova condição... Enfim, são levadas por razões bastante diversificadas e têm objetivos pessoais definidos.

Para integrar a equipe encarnada dos trabalhos com a mediunidade, contudo, hão que estar cientes de alguns fatores decisivos para o êxito e a qualidade dos resultados obtidos.

Primeiro, é importante que, num grupo mediúnico, ninguém se considere um mero espectador, nem participe por razões estritamente particulares. Nossa participação também consiste na cota indispensável de sentimentos e pensamentos, que oferecemos antes, durante e depois da reunião, em favor de todos os encarnados e desencarnados, sejam atendentes ou atendidos.

A formação do grupo leva em conta as características do trabalho que se pretende realizar, seja experimentação, estudo ou socorro a Espíritos necessitados. Seja qual for a natureza do trabalho, sempre possui funções específicas e os participantes precisam buscar colaborar da melhor maneira possível, naquela em que melhor se adaptem.

Em geral, um grupo recém-formado tem pessoas desempenhando vários papéis, mas quando ele amadurece e cada um descobre sua tendência, é natural que se especialize nas funções de médiuns de transe, aplicadores de passes, dialogadores ou médiuns de sustentação, e é desejável, mesmo, que procure se aperfeiçoar na função que escolheu. Com isto, tanto a pessoa quanto o grupo só têm a ganhar.

Durante a reunião, mesmo que momentaneamente não esteja desempenhando sua tarefa, é necessário que se mantenha mentalmente ligado e alerta, interessando-se pelos diálogos e fenômenos que se processam, ajudando com pensamentos aquele que conversa com o irmão desencarnado, pondo-se atento às intuições superiores que receber e com que possa contribuir. O tédio e o alheamento ao ambiente e às comunicações levam à dispersão de pensamentos, à sonolência e à diminuição da qualidade do ambiente, com sérias conseqüências: ou diminuindo a qualidade do atendimento socorrista, ou limitando o aproveitamento das experiências e estudos, se esse for o caso. Se preferir, então, que o integrante do grupo escolha um item de seu interesse para observar no sentido de aprender mais, como a forma de abordagem dos Espíritos, o processo das comunicações, a atuação dos médiuns ou as mudanças no ambiente fluídico.

Todo esforço que vise aumentar a harmonia entre os participantes não será poupado, as razões de desentendimento serão logo identificadas e sanadas; todos os Espíritos e todas as pessoas serão tratados com respeito e cordialidade nascidas do fundo desejo de criar um clima de serenidade e confiança mútua.

Da sintonia com os Dirigentes desencarnados resultarão encaminhamentos interessantes para as atividades desenvolvidas, lembrando que eles também compõem o grupo da reunião: colaboram, instruem e auxiliam de inúmeras maneiras, podendo ser consultados sempre que necessário.