PF/Rita Foelker
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Jean, desenhado por Auguste Renoir |
A alegria das palavras surge do esforço de
descobrir aquelas que expressam nossas opiniões, que traduzem o que sentimos e
descrevem nossas necessidades.
O esforço do aprendizado, contudo, nem
sempre é recompensado com essa alegria, porque antes de aprender a falar e
escrever sobre nossos anseios, somos preenchidos de discursos esvaziados de
sentido, de palavras ocas de verdade e o desencanto nos surpreende... sem ter o
que declarar!
As palavras robustas, recheadas de verdade
das emoções e de conforto, de razoabilidade e entendimento superior, estão
fazendo falta. Mesmo as palavras do Mestre Nazareno se tornaram versinhos
decorados como troféus de uma erudição fanática e limitada. Um insulto à
mensagem espargida em suas entrelinhas como perfume floral agradável e como líquido
que chega à secura das almas para ministrar-lhes novas forças e alento.
Eu gostaria que todas as crianças
aprendessem a falar e escrever. Que os adultos recebessem essa oportunidade.
Mas, antes disso, que elas e eles descobrissem dentro de seus corações o que é
mais importante ser dito. O que é mais preciso. O que é essencial.
E que estas ocasiões de apresentação de
redações não fossem apenas uma questão de número de palavras, páginas repletas
ou de correção ortográfica, mas de encontro com a humanidade e reconhecimento do
humano, sob o qual repousa, às vezes esquecida, a vida do espírito.